Os Desafios do Coronavírus nas Estratégias de RM

O impacto do Coronavírus na economia global tem “mutações” constantes, à medida que o número de casos e mortes confirmados continua a aumentar e os governos e empresas de todo o mundo tomam medidas para combater a epidemia.

À medida que o impacto do COVID-19 se espalha pelo mundo, este está a impactar o turismo no geral, desde a hotelaria às companhas aéreas, dos cruzeiros às agências de viagens, e aos operadores de turismo no geral.

Embora o resultado final seja ainda desconhecido, é óbvio que o impacto económico será significativo.

Efeitos Imediatos:

Ainda no início de fevereiro, os organizadores do Mobile World Congress, uma feira anual em Barcelona que atrai mais de 100.000 participantes, cancelaram o evento e justificaram a sua decisão com o seguinte argumento, e passo a citar “preocupação global com o surto de coronavírus, viagens e outras circunstâncias, impossibilitando a GSMA de realizar o evento”.

A Hilton fechou cerca de 150 hotéis, cuja representatividade é de 33.000 quartos na China. O CEO e Presidente da Hilton, Chris Nassetta, disse que se prevê um “impacto de 25 a 50 milhões de euros no EBITDA no acumulado a dezembro de 2020” e uma queda de 1% no RevPAR – isto é, se o surto durar “cerca de três a seis meses, com um período adicional de recuperação de três a seis meses”.

Quase duas dúzias de companhias aéreas, incluindo American, United, Delta, Air France e British Airways, cancelaram todos os voos para a China continental e muitas estão continuamente a adiar a data em que os voos serão retomados.

A IATA relata que, com base nos dados de tráfego aéreo dos últimos anos de uma semana após o início do feriado do Ano Novo Chinês, este ano “os volumes diários de passageiros foram cerca de 40% menores em comparação com o que se previa. “

E o setor de cruzeiros capturou grande parte da cobertura global, pois os passageiros foram colocados em quarentena e os navios mantidos fora dos portos. Ao relatar os resultados de todo o ano de 2019, a Royal Caribbean Cruises diz: “Se essas restrições e preocupações com viagens durante o surto continuarem por um longo período de tempo, elas podem ter um impacto devastador no desempenho financeiro geral da empresa”.

A Carnival Corporation diz o mesmo: “Como resultado do Coronavírus, a empresa acredita que o impacto nas suas reservas globais e viagens canceladas terá um impacto substancial nos seus resultados financeiros, o que não foi previsto nas orientações de ganhos anteriores da empresa para 2020”.

Soluções Estratégicas:
Do ponto de vista do RM, incluindo preços e previsões, o Coronavírus é um enorme desafio para a indústria do turismo – afetando tanto a relevância dos dados históricos, a capacidade de prever o futuro e a necessidade de tratar de cancelamentos no presente.

Sem um fim conhecido do surto ou mesmo quando as restrições de viagem irão aumentar – junto com a expectativa de que o medo tenha um efeito prolongado muito tempo depois – a RM HUB está continuamente a alterar as previsões de prazo agora muito mais curto, de apenas algumas semanas à frente para clientes de hotéis em China e Hong Kong e aconselhando-os a reduzir suas previsões de receita até o final do segundo trimestre.

Na China verificaram-se aumentos de 29% nos cancelamentos de estadias em hotéis para o mês de janeiro em comparação a 2019 e um declínio de 75% nos quartos reservados em janeiro para estadias em fevereiro, março e abril. E o impacto é notório a nível global. Numa análise conjunta com a Climber RMS, notámos que em Portugal o impacto de 1 a 19 de março e cujo reflexo se fez sentir até final de 2020, foi de uma quebra de 60% nas receitas da hotelaria, 38.6% no aumento de cancelamentos e de quebra de 28.4% ao nível da ocupação.

Uma estratégia que não recomendamos é baixar preços drasticamente, pois pode levar meses ou até anos para retornar às taxas pré-crise, uma vez que a procura vá retomando. A procura simplesmente não existe. As pessoas não viajam para uma região se acharem que há risco, mesmo que o preço seja muito atrativo, procuram segurança e flexibilidade.

Deve haver um foco nos mercados domésticos que deverão voltar a ganhar confiança ainda que moderadamente e definir campanhas para os meses de verão.

Devido ao aumento de restrições de viagens aéreas dos mercados do TOP 10 nacional, devemos garantir a máxima exposição ao mercado interno, concentrando mais orçamento e direcionando as ações de e-commerce, nomeadamente campanhas de “metasearch” e de “re-tarketing”, nas quais ainda existe um público estabelecido com forte intenção de reservar.

Os clientes não procuram necessariamente preço neste momento, mas sim flexibilidade e segurança, portanto considere não utilizar tarifas não reembolsáveis, considere alterar as políticas de penalização para cancelamentos e considere uma estratégia de preços realista face ao seu mercado concorrencial.

Considere permitir que os clientes alterem as suas reservas para uma nova data, caso desejem (tranquilizando também novos clientes). Faça da palavra “flexibilidade” uma de suas principais mensagens de marketing e tente inclusive alterar o nome da tarifa BAR para “Super Flexível”. Passe uma mensagem clara de segurança aos clientes e destaque as ações em vigor, por exemplo limpeza desinfetantes constantes e tantas outras medidas que as entidades oficiais recomendaram.

By Rudi Azeved, CEO RM HUB

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